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Nara Roesler inaugura duas mostras inéditas em São Paulo

26/08/2026 - Por ArtRio

A galeria Nara Roesler de São Paulo inaugura neste sábado, 29 de agosto, das 11h às 15h, a individual “Autobiografia de um fio”, de Sheila Hicks, e a coletiva “Speaking in Tongues” [Falando em línguas], com curadoria de Magalí Arriola.

Com curadoria de Luis Pérez-Oramas, diretor artístico da galeria, a exposição de Sheila Hicks (1934), um dos grandes nomes da arte têxtil internacional, reúne trabalhos inéditos e recentes, além da obra histórica “Zapallar Domingo II” (1957).

“A América Latina está inscrita no DNA originário da obra de Sheila Hicks”, diz Pérez-Oramas. Desde sua formação em Yale, Hicks foi profundamente marcada pelos ensinamentos do historiador da arte pré-colombiana George Kubler (1912–1996) e a leitura do clássico livro de Raoul d’Harcourt sobre a arte têxtil do Peru ancestral, que a introduziu às culturas do fio e da tecelagem na América Latina. Hicks recebe em Yale o legado moderno da Bauhaus através do seu professor Josef Albers (1888-1976) – quem a enviou ao Chile, em 1957, para ministrar aulas em seu lugar, ocasião da primeira viagem iniciática da artista pela Venezuela, Colômbia, Peru e Chile.

Em “Autobiografia de um fio” estarão obras da série de “monocromos” têxteis, “quadrados modernos, que sem dúvida ressoam com o fato de [Josef] Albers e o legado da Bauhaus ser uma presença inspiradora para Hicks”, diz Luis Pérez-Oramas. “Mas me interessa tentar desenvolver a instalação como uma germinação, do mínimo ao monumental, como uma autobiografia dos fios”, adianta o curador. Os “Minimes” de Sheila Hicks, que também serão expostos na Nara Roesler São Paulo, “são mínimas cartografias para avançar rumo ao espaço teatral, dramático dos espectadores, para deixar cair os fios entrelaçados como cataratas de água, para saturar os espaços com cometas e planetas de cor tecidos”, assinala.

Estarão também na exposição as obras da série “Boules”, que se assemelham a grandes novelos, e são confeccionados com tecidos e fios de diversos materiais, incluindo fibras sintéticas manualmente tingidas e então moldadas a partir do acréscimo de algodão, linho, nylon e seda, entre outros. Muitas vezes, Hicks incorpora objetos pessoais dentro de suas obras têxteis, criando compartimentos ocultos que o público não consegue ver. O gesto dialoga com a herança do artista Marcel Duchamp (1887-1968) ao transformar objetos cotidianos em parte da obra e sugerir que ela também guarda memórias, histórias e significados invisíveis.

Speaking in Tongues [Falando em línguas]

Com curadoria de Magalí Arriola, a exposição apresenta obras – esculturas, pinturas, desenhos, fotografia, objetos – dos artistas Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Tania Pérez Córdova, Jonathan Torres, Ann Lislegaard, Petrit Halilaj, Gino De Dominicis, Adriano Amaral, Julia Gallo e a dupla Guadalupe Rosales e rafa esparza.

A curadora explica que a coletiva se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos – apagando todas as formas de opacidade – criando categorias e associações”. Contra essa tendência, a mostra reúne uma multiplicidade de vozes e identidades, e “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”.

“Aquilo que se apresentava como futuro deixa de ser o lugar das grandes narrativas, previsões, promessas ou adivinhações e passa a ser, em vez disso, um campo conjectural no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia, conspiração e linearidade, trama e profecia se entrelaçam”, afirma Magalí Arriola.

A mostra integra o ciclo comemorativo dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler, e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 e que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, como um espaço de experimentação. Nesta edição especial, foi convidada a escritora e curadora Magalí Arriola, ex-diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México, e curadora do Pavilhão do México na 58ª Bienal de Veneza (2019), e curadora chefe da Bienal Internacional de Arte e Cidade de Bogotá (Bog27) em 2027, entre muitas outras funções.

As duas exposições vão até o dia 24 de outubro de 2026. A Nara Roesler São Paulo fica na Avenida Europa, 655. Funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 11h às 15h. Entrada gratuita.

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