Museu Histórico da Cidade inaugura “Espaçotempo”, coletiva inspirada em poema de Paulo Leminski
Propondo uma reflexão sobre as múltiplas percepções do tempo a partir de experiências subjetivas, memórias e atravessamentos íntimos, a exposição coletiva Espaçotempo abre no dia 1º de março de 2026, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea, e permanece em cartaz até 3 de maio de 2026. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a mostra reúne 32 artistas contemporâneos.
Inspirada no poema O mínimo do máximo, de Paulo Leminski (1944–1989), a exposição articula questões que transitam entre o individual e o coletivo, entre o real e o imaginado, deslocando a ideia de tempo de uma leitura linear e cronológica. Poeta que atravessou a literatura brasileira com humor, síntese e pensamento afiado, Leminski aparece aqui como um disparador sensível: seu poema abre um campo de ressonâncias entre palavra e imagem, em diálogo com as artes visuais. “Espaçotempo nasce do desejo de pensar o tempo para além da cronologia. Interessa menos a sequência e mais a experiência, aquilo que permanece, retorna ou se transforma na relação entre memória, corpo e imaginação”, afirma a curadora Isabel Sanson Portella.
As obras apresentadas percorrem uma ampla variedade de suportes e linguagens, como pintura, desenho, escultura, vídeo, ação interativa, tear, serigrafia, fotografia, gravura, bordado e objeto, evidenciando a diversidade de pesquisas e procedimentos que atravessam a exposição. Participam da mostra Ana Carolina Videira, Ana Herter, Ana Zveibil, Anna Bella Geiger, Antonio Bokel, Aruane Garzedin, Ashley Hamilton, Breno Bulus, Cláudia Lyrio, Esther Bonder, Fernanda Sattamini, Flavia Fabbriziani, Giba Gomes, Gláucia Crispino, Heloísa Madragoa, Jaime Acioli, Liane Roditi, Manoel Novello, Manu Gomez, Maristela Ribeiro, Marlene Stamm, Michelle Rosset, Mônica Pougy, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrizia D’Angello, Pedro Carneiro, Raul Mourão, Renata Adler, Stella Mariz, Vicente de Melo e Aldonis Nino, Virgínia Di Lauro e Yoko Nishio, artistas oriundos de estados como Bahia, Amapá, São Paulo e Rio de Janeiro, além dos Estados Unidos.
“A exposição se constrói na diversidade de olhares e na compreensão de que cada experiência do tempo é única, atravessada por histórias pessoais, afetos e modos singulares de estar no mundo”, completa Isabel. Ao reunir poéticas tão distintas, Espaçotempo propõe um campo de experiências no
qual o tempo se apresenta como matéria viva — algo que se dobra, se acumula e se reinventa no encontro entre obra, espaço e público.
O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro fica na Est. Santa Marinha, s/nº – Gávea, Rio de Janeiro. Visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 16h. Entrada gratuita.